Fotógrafo retrata realidade secreta de grupo nômade com leis baseadas no amor

08/09/2014 10:14

O fotógrafo franco-canadense Benoit Paillé participa há sete anos dos encontros do Rainbow Gathering, e tirou estas fotografias em alguns dos eventos que fez parte durante três anos. Tratam-se de imagens raras, pois não se permite a produção de registros do evento (o fotógrafo só foi autorizado porque faz parte do grupo). Aqui se tem a produção final de algumas, que transmitem a sensibilidade e a essência deste grupo de participantes.

Eu decidi fotografar minha família, meus irmãos e irmãs. Tenho frequentado o Rainbow Gathering por 7 anos, e tirei fotos do encontro durante os últimos 3. As imagens que você vê são muito preciosas, pois normalmente não é permitido tirar fotos durante o evento. Por isso, sejam respeitosos com meus irmãos e irmãs. As pessoas são o amor, são mágicos, são beleza. Estas irmãs e irmãos são as pessoas do futuro.” (Benoit Paillé)

O primeiro Rainbow Gathering aconteceu no Colorado (EUA) em julho de 1972, e a partir dessa data tem sido realizado anualmente em diversos países como Espanha, México, Canadá e até mesmo aqui no Brasil. O encontro acontece algumas vezes ao ano – com a duração de aproximadamente um mês – e reúne pessoas de mais de 48 nacionalidades diferentes. A escolha do país de realização do evento é feita em reuniões que ocorrem durante os encontros, nas quais também se resolvem outros assuntos e se tomam decisões por consenso. O acampamento acontece em áreas rurais com cachoeiras, montanhas, mata nativa e longe dos grandes centros urbanos.

Mas afinal, quem são essas pessoas que participam dos encontros e do que elas sobrevivem? Há os que pensam que são rebeldes sem causa que procuram uma válvula de escape para fugir da realidade em que vivem e dos compromissos da vida, mas muito pelo contrário: são apenas pessoas que escolheram um estilo de vida alternativo baseado em compartilhar a liberdade, paz, leis baseadas no amor, harmonia e com uma forte ligação à natureza, e se distanciaram do mundo capitalista e consumista em que vivemos e optaram por viver fazendo o que gostam sem se preocupar com o retorno financeiro. Alguns mantêm um emprego fixo e levam uma vida dita normal para os padrões da sociedade, mas muitos dos que participam dos encontros largaram essa vida padronizada pelo capitalismo para se tornar um modelo de hippie (vendendo artesanatos, por exemplo) e não ter uma estabilidade financeira como a maior parte da população almeja. Os integrantes do grupo buscam apenas viver em harmonia espiritual em conexão com a natureza.

Não há nem um tipo de comércio dentro do camping, então alguns alimentos – que em geral são grãos integrais, castanhas, frutas secas e nenhum tipo de alimento de origem animal – são levados de casa. Também é praticada a agricultura de subsistência rudimentar. Para as necessidades comunitárias é feita uma contribuição espontânea através de um “chapéu mágico”, que é usado para que se possa arrecadar dinheiro para tais fins.

Para as atividades do acampamento não existe um único líder: eles se organizam em grupos de trabalho. Para cada grupo se destina uma atividade na qual também se discute sobre vários temas – havendo, assim, a concepção de trocas de experiência -, e também são realizadas atividades de oficinas de arte, técnicas terapêuticas, bioarquitetura e bioconstrução.

No Rainbow, para se evitar os impactos ambientais que um acampamento deste porte (com centenas de pessoas) pode causar, são utilizados sistemas de tubulação para captar água potável e é feita a compostagem de substâncias orgânicas acumuladas tanto na cozinha quanto nos sanitários.

Ao terminar o acampamento todos têm que deixá-lo como o encontraram, sem as barracas, lixo, estruturas comunitárias desmontadas e trilhas desfeitas. As sementes dos alimentos utilizados durante o acampamento são plantadas em áreas próximas ao evento. Dessa forma, são empregadas de forma consciente para uma recomposição do ambiente.

O fotógrafo captou o que há de mais essencial em cada uma das pessoas do grupo e nos ofereceu um resultado lindíssimo: fotografias abundante em cores, texturas e de belíssimas paisagens (sem contar a expressão dos olhares e sentimentos que o transmitem vivendo em uma utopia contagiante). As imagens mostram a beleza de pessoas que vivem a vida de acordo com as leis da natureza e não do capitalismo, de pessoas que precisam de muito pouco e de coisas simples para viver bem e em harmonia consigo mesmas. Essa é a magia das leis baseadas no amor, e oxalá que todos fossem contaminados por essas inspirações.

Enfim, seguem as fotos de beleza inigualável, daquelas que fazem a gente ter vontade de conhecer o lugar, viver, amar e sentir a liberdade e que são dignas de qualquer apreciador da arte da fotografia e da natureza.

 

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